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Estudantes e movimentos populares vão às ruas em defesa da educação pública




Entre os dias 20 e 24 de agosto, ocorreu em diversos estados do Brasil a Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública. Organizada por várias entidades como a UNE, a UBES, a Conlute, a Intersindical, o ANDES-SN e outros movimentos como o MST, a CPT, o Círculo Palmarino e o MAB, a Jornada realizou atos, debates e ocupações em várias cidades.

A pauta da Jornada teve 18 pontos e entre eles a erradicação do analfabetismo e o fim do vestibular. Estavam na pauta, também, a luta por ampliação do investimento na educação pública; a defesa de uma formação universitária baseada no ensino, pesquisa e extensão e contra a mercantilização da educação e da produção do conhecimento; e a gestão democrática, com participação paritária de estudantes, técnico-administrativos e docentes em todos os níveis de decisão das instituições e sistemas de ensino.

Alexandre Eduardo (Cherno), diretor de Políticas Educacionais da UNE e militante da União da Juventude Comunista - UJC, avalia que a Jornada foi um sucesso, com atividades numerosas que mobilizaram todos os setores do movimento estudantil em conjunto com o MST. E completou afirmando que "a Jornada abre um novo momento para o estudantes onde a unidade do movimento será fundamental para travarmos uma disputa contra hegemônica na educação e construirmos uma nova universidade brasileira".

A UJC participou ativamente da organização da Jornada em diversos estados. O estudante Túlio, secretário-geral da UJC e detido na ocupação em Minas, faz uma avaliação positiva da Jornada e afirma que o debate de educação deve vir acompanhado pela discussão da Universidade Popular. "Uma universidade que tenha como princípio o ensino crítico, rompendo com o modelo pedagógico atual, colocando a educação como instrumento de emancipação das classes dominadas".

Veja como foi a Jornada nos estados:

São Paulo
A Jornada em São Paulo teve início na segunda (20/08) com um debate na USP que reuniu centenas de estudantes. Na mesa estavam entidades e movimentos como a UNE, a CONLUTE, o ANDES, a APEOESP, e o MST e que debateram os pontos da Jornada.

No dia 21, cerca 500 estudantes ocuparam a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, e realizaram diversas atividades políticas e culturais. O músico Tom Zé esteve presente no ato e se apresentou para os ocupantes. Porém, a ocupação pacífica e simbólica sofreu um duro golpe quando a tropa de choque da PM/SP de forma truculenta invadiu a faculdade e retirou os ocupantes de forma dura, entre eles crianças de colo, e os manteve sob controle do lado de fora da universidade onde passaram por um violento processo de revista, antes de serem detidos e fichados na delegacia.

Segundo Larissa Alves, estudante de Geografia da USP e militante da UJC, que estava na ocupação, "a Jornada de Lutas em Defesa da Educação Pública foi vitoriosa por unir o conjunto dos movimentos populares em torno de bandeiras consensuais que apontam para uma atuação conseqüente do movimento". E sobre a repressão policial, reitera: "sem dúvida o movimento popular desgastou ainda mais o governo Serra que mais uma vez respondeu com truculência uma ação simbólica que tinha como mote uma universidade pública, gratuita e de qualidade para todos e uma educação que atenda as necessidades da classe trabalhadora", fecha.

No dia seguinte foi realizado um ato na faculdade em repúdio a ação violenta da polícia militar de São Paulo. No dia 24, um grande ato encerrou a jornada em São Paulo, com uma participação qualificada da militância da UJC.

Minas Gerais
Na capital mineira, a Jornada iniciou no dia 20 com uma ocupação em frente a reitoria da UFMG. Os estudantes levantaram uma barraca de lona,que serviu de espaço para os debates que foram realizados em torno da pauta nacional.

Na quarta-feira, pela manhã, houve um grande ato que reuniu cerca de mil pessoas pelas ruas do centro de Belo Horizonte. A tarde cerca de 200 manifestantes ocuparam o 4º andar do prédio da Ferrovia Centro Atlântica, onde funciona um escritório da Cia. Vale do Rio Doce. A ocupação tinha o objetivo de chamar a atenção para a campanha "A Vale É Nossa", e reivindicando uma coletiva de imprensa para deixar claro à sociedade, que aquela era uma ocupação pacífica, e justificada uma vez que a vale foi uma verdadeira doação ao capital privado. Atendendo um pedindo da Vale, que afirmou em nota que os manifestantes fizeram dois reféns, a PM invadiu o prédio e prendeu cerca de 130 pessoas.

Entre os detidos estavam, Túlio, Renata, Pedro e Jéssica, que são militantes da UJC. Na ocupação tinha crianças e mulheres que foram algemados e retirados do prédio à força. Todos os participantes da ocupação negaram que tivessem feitos reféns como afirmou a Vale. A ação violenta da PM mineira deixa claro o tipo de relação que o governo de Aécio Neves tem com os movimentos sociais no estado.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) divulgou uma nota, na sexta-feira, em solidariedade aos companheiros presos na ocupação e exigindo a libertação dos mesmos. No mesmo dia, os presos foram liberados, mas devem responder processo. Leia aqui a nota.

Na opinião de Renata Regina, diretora da UBES e militante da UJC, "a Jornada cumpriu seu papel, apresentando os 18 pontos da pauta nacional a toda à sociedade, e foi sem duvida, uma grande vitória dos movimentos sociais alcançarem a unidade entre entidades e organizações que atuavam isoladas desde 2003".

Pernambuco
Em Recife, o ato reuniu cerca de mil manifestantes na quarta-feira. O ato saiu da sede da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) e foi até o Palácio das Princesas, onde os estudantes entregaram um documento com as reivindicações da jornada ao secretário especial de articulação social do governo estadual, Waldemar Borges. O DCE da UFRPE realizou diversas atividades políticas e culturais, lembrando o atual desmonte da universidade pública no país.

Na avaliação de Benoni, secretário político da UJC/PE, o ato foi muito importante, pois conseguiu unir todos os setores do movimento em torno de bandeiras comuns e mobilizou os estudantes para uma luta fundamental hoje, que é a defesa da educação pública.

Rio de Janeiro
No dia 20/08, vários estudantes ocuparam o IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ) pela manhã e permaneceram no local até o final do dia. No pátio do instituto foi organizado um debate sobre acesso e financiamento da educação com os profs. Roberto Leher e Guiseppe Coco.

Na quarta, centenas de estudantes foram às ruas num grande ato no Centro da cidade. O ato seguiu em direção ao MEC, mas antes parou em frente à sede da Cia. Vale do Rio Doce, onde diversos partidos e juventudes convocaram os estudantes a participarem ativamente do Plebiscito Popular pela Reestatização da Vale.

Segundo Rafael, estudante do CEFET e militante da UJC, a ocupação seguida do ato foi bastante positiva, pois os espaços serviram de formação e de mobilização para o movimento estudantil na luta contra o desmonte da educação pública.

Goiás
Em Goiânia, os estudantes realizaram um ato no Conselho Universitário da UFG na quarta-feira. O ato reuniu dezenas de estudantes e militantes sem-terra e pautou os 18 pontos da jornada.

João Victor, coordenador do DCE UFG e militante da UJC, participou do ato e afirmou que "a jornada foi uma ótima oportunidade para o movimento estudantil pautar questões fundamentais na luta em defesa da educação pública".

Bahia
Em Salvador, no dia 22, ocorreu um ato que reuniu três mil estudantes. Os manifestantes partiram da Praça do Campo Grande e seguiram até a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde houve uma ocupação.

Samuel Marques, diretor da ABES (Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas) e militante da UJC, afirmou que a Jornada demonstrou a necessidade de transformamos a educação no país.

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