Berlim homenageia os 100 anos de Olga Benario Prestes
Deu na Deusche Welle: Galeria berlinense inaugura "pedra de tropeço" em homenagem aos
100 anos de Olga Benário, a revolucionária alemã de origem judaica, vítima do
Holocausto.
Olga Benario Prestes estaria completando 100 anos nesta terça-feira
(12/02). Como ponto alto das homenagens que presta ao seu centenário, a
Galeria Olga Benario de Berlim inaugura "pedra de tropeço" em frente ao
último endereço que a revolucionária ocupou na capital alemã. A "pedra
de tropeço" em homenagem à Olga Benario, instalada na calçada da
Innstrasse 24, no bairro berlinense de Neukölln, será inaugurada por sua
filha, a professora Anita Prestes, que nasceu em Berlim quando sua mãe
estava na prisão feminina de Barnimstrasse. "Pedras de tropeço" são
pequenas placas de latão cravadas nas calçadas dos prédios onde moraram
vítimas do Holocausto. Nelas, estão escritos o nome, data de nascimento,
data de deportação e uma referência ao local e data de morte da vítima.
A idéia partiu do artista alemão Gunter Demnig. Hoje, já existem mais de
13,5 mil marcos deste tipo espalhados por quatro países europeus. Ação
cinematográfica
Olga Benario nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. No início
dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a
classificavam como "agitadora comunista". Juntamente com seu parceiro, o
comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln,
onde se tornou membro ativo da Juventude Comunista. Olga Benario e Otto
Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional
bairro proletário berlinense. Foi neste endereço que foram presos. Logo
libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu
companheiro Otto Braun da prisão de Moabit. Em abril de 1928, Olga e
camaradas de Otto Braun disfarçados de estudantes de Direito invadiram a
sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e
libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou,
onde Olga trabalhava para o movimento trabalhista internacional.
Intentona Comunista
Com Luís Carlos Prestes, Olga Benario partiu de Moscou para o Rio de
Janeiro, em 1935. Durante a viagem, os dois se apaixonaram e tornaram-se
um casal, vindo a organizar a Intentona Comunista de 1935. Após a
fracassada tentativa, Olga e Prestes foram presos e, apesar de protestos
internacionais, ela foi entregue, em 1936, grávida de sua filha, à
Gestapo pela ditadura varguista. Em setembro do mesmo ano, Olga foi
enviada à Alemanha. Em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na
maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de
1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de
concentração feminino de Lichtenburg. OIga Benario Prestes teve ainda
que passar três anos no campo de concentração de Ravensbrück, antes de
ser enviada para a câmara de gás em Bernburg, em 1942. O endereço da
Innstrasse 24, em Neukölln, foi sua última morada como cidadã livre na
Alemanha. Olga Benario Prestes
Em 12 de fevereiro de 1984. a Associação dos Perseguidos pelo Regime
Nazista/Associação dos Antifascistas (VVN/VDA) fundou a Galeria Olga
Benario em Berlim-Neukölln. A galeria informa que três motivos
justificaram a escolha do nome de Olga: por ser mulher, por ter uma
relação próxima com o bairro de Neukölln e por ser uma
internacionalista. A galeria foi inaugurada com uma exposição sobre a
vida de Olga Benario, que, para além da lembrança como revolucionária
comunista, vem se tornando, nos últimos anos, um exemplo de coragem
feminina para muitos alemães. Talvez por isto, os temas das exposições
da galeria se expandiram para solidariedade internacional, imigrantes e
asilo, movimento feminista, sindicatos, entre outros. Em comemoração
aos 100 anos da revolucionária e aos seus 24 anos de existência, a
Galeria Olga Benario convidou Anita Prestes, filha de Olga Benario e
Luís Carlos Prestes, para inaugurar a "pedra de tropeço" na calçada do
último endereço berlinense de sua mãe, Olga Benario Prestes.
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