Por ordem da ANP (*), militantes são espancados e presos durante manifestação no Rio contra leilão do petróleo
Cerca de 50 feridos e três pessoas detidas. Esse é o saldo – até agora
computado - deixado pela violenta reação da Polícia Militar do Rio de
Janeiro e da Guarda Municipal, durante uma manifestação pacífica, por volta
de meio dia, nesta quinta, 18, na Avenida Rio Branco, em protesto contra a
10ª Rodada de Licitação do Petróleo.
Depois de receberem uma ordem de despejo para desocupar o Edifício Sede da
Petrobrás, no Rio, os manifestantes – cerca de 500 pessoas - dirigiram-se
para a Candelária, que fica perto da Agência Nacional do Petróleo (ANP),
responsável pela realização dos leilões das áreas petrolíferas. Em seguida,
a manifestação prosseguiu pela Avenida Rio Branco, em direção à Cinelândia.
A violenta reação da Polícia Militar e da Guarda Municipal surpreendeu os
manifestantes que foram espancados durante toda a caminhada pela Avenida
Rio Branco. Até agora os organizadores da manifestação, convocada pelo Fórum
Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, que reúne dezenas de
entidades, confirmam a detenção de três pessoas: Emanuel Cancella,
coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ);
Gualberto Tinoco (Piteu), da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas):
Thiago Lúcio Costa, estudante de jornalismo da Universidade de Santa
Cecília, de Santos. Dentre os feridos, está hospitalizado, com um corte na
cabeça, no Souza Aguiar, o diretor do Sindipetro-RJ Eduardo Henrique Soares
da Costa. Um militante do MST quebrou o braço, ao ser espancado pela PM. As
entidades que compõem o Fórum ainda estão fazendo o levantamento do número
de feridos e estão tentando localizá-los. Muitos ainda não foram
encontrados.
Desde a ordem de despejo, vinda da presidência da Petrobrás, ontem à noite,
os manifestantes sentiram a animosidade das forças de repressão, mas não
esperavam ação tão agressiva, contra uma simples manifestação de protesto.
Um dos detidos, o coordenador do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, declarou:
"Nós acabamos de viver um momento que remonta à sombria época da ditadura
militar. O Capitão Moreira me deu ordem de prisão, mesmo eu dizendo que era
advogado. Ele bateu muito em mim. Algemou o Pitel e o estudante e os
policiais feriram gravemente nosso companheiro Eduardo Henrique". Emanuel
Cancella está com um braço fraturado e costelas. Por de 14 horas estava
concluindo o seu depoimento na 1ª DP, na Rua Relação, 42. Logo seria
encaminhado para exame de corpo delito. A partir das 14h30, a Rádio
Petroleira transmitirá flashes ao vivo.
Participavam da manifestação no Rio, parte de uma jornada de Lutas pela
suspensão do leilão do petróleo, iniciada desde o dia 14 – no dia 15, houve
a ocupação do Ministério das Minas e Energia, em Brasília, pela Via
Campesina e petroleiros – representantes de dezenas de entidades (**) que
compõem o Fórum, dentre as quais: Sindipetro-RJ, Sindipetro-Litoral
Paulista, MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) , MTD (Movimento dos
Trabalhadores Desempregados), FIST (Federação Internacionalista dos Sem
Teto), FOE (Frente de Oposição de Esquerda da União Nacional dos
Estudantes), as centrais sindicais Conlutas, Intersindical e CUT, a
Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Frente Nacional dos Petroleiros
(FNP), o Centro Estudantil de Santos, movimentos de estudantes secundaristas
do Rio de Janeiro. A campanha "O Petróleo Tem que ser nosso" continua.
(*) – A ANP (Agência Nacional de Petróleo), dirigida por Haroldo Lima,
Vice-Presidente Nacional do PCdoB, é a agência que promove os leilões das
reservas do petróleo brasileiro, em que a Petrobrás tem que disputar áreas
com empresas privadas, inclusive multinacionais, pagando caro para pesquisar
e explorar o nosso petróleo;
(**) – O PCB (Partido Comunista Brasileiro) e a UJC (União da Juventude
Comunista) participaram ativamente das manifestações.
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